O dia começou mal para a selecção nacional: Nani estava fora do Mundial. Um exame complementar efectuado de manhã à clavícula esquerda confirmou o pior para o extremo português. Um momento de pesadelo para um Nani que se estreava em Mundiais, que investia tudo na prova, que se encontrava num momento de forma ímpar e que de repente se viu excluído de tão importante competição. “É uma grande infelicidade”, comentou Carlos Queiroz, explicando que o diagnóstico que lhe foi feito não permite entrar em competição. “Estes três dias têm sido muito difíceis”, acrescentou o seleccionador nacional. “É um caso exemplar. Em 30 anos nunca vi um jogador tão determinado como ele estava, pelo que foi necessário conduzir este processo de uma forma muito cuidada”.
As palavras de afecto multiplicaram-se no seio da selecção nacional. Danny não escondeu a sua tristeza pela ausência do companheiro, considerando que a perda “será muito grande” e que Nani “vai fazer muita falta à selecção”. Hugo Almeida partilha a mesma opinião, considerando-o “um jogador importantíssimo” na equipa, que estava “a atravessar uma fase muito boa”. “Quem não fica triste quando perde um grande jogador?”, interroga o ponta-de-lança português. Já Deco fez eco da grande tristeza que se apoderou de todos, não só por se tratar de “um grande amigo”, mas também por, na sua opinião, “ser, talvez, o jogador que em melhores condições chegou ao estágio”. Todos eles exprimem o mesmo desejo: que Nani recupere o mais rápido possível e bem, de forma a ser reintegrado nos trabalhos da equipa na fase de qualificação para o próximo Europeu.
Se o dia foi de terror no que diz respeito a Nani (que será substituído por Rúben Amorim), o mesmo não se pode dizer de Pepe, que voltou à competição quase seis meses depois da rotura de ligamentos. Triste pelo infortúnio de Nani (“Perdemos um grande jogador e um grande companheiro”), solidário com o companheiro (“Cada vitória nossa vai ser dedicada ao Nani, que continua a fazer parte do nosso grupo”), mas feliz, muito feliz por ter regressado à competição, ainda que por 15 minutos. “Hoje vi uma luz ao fundo do túnel”, sintetizou o jogador português, que garantiu ter-se sentido “bem e confiante” com este regresso naquele que considera ter sido “um dia muito marcante” na sua vida.
Pepe entrou aos 76’ minutos do jogo de preparação com Moçambique. Entrou e logo tocou na bola, e logo subiu no terreno e logo rematou. “Não tive qualquer receio”, explicaria no final. “Trabalhei para ter esta oportunidade. Se entrei foi porque me senti confiante e porque me sinto em condições de jogar, neste momento ainda não 90 minutos, porque ainda não estou a 100 por cento fisicamente”. No momento em que substituiu Pedro Mendes, Portugal vencia Moçambique por 2-0 e foi já em campo que festejou o terceiro golo, naquele que foi o último ensaio da selecção nacional antes do arranque do Mundial.
Um bom treino para a equipa de Carlos Queiroz, que desta vez colocou Danny e Simão nas alas, deixando Cristiano Ronaldo no banco para descansar e para prevenir lesões. Danny acabaria por brilhar neste jogo de preparação, ele que apontou o primeiro golo português – excelente abertura de Deco, para bom trabalho do avançado no meio da defesa contrária –, entrando para a história com o 800º golo apontado no encontro 500 de Portugal. Os restantes dois golos foram marcados igualmente na segunda parte, ambos pelo oportuníssimo Hugo Almeida – rendera Liedson ao intervalo –, o primeiro a passe de Danny, o segundo a recarga de um forte remate de Cristiano Ronaldo (em campo 37 minutos), que Lemá não segurou.
No final, a convicção expressa por todos de que Portugal está preparado para a sua aventura no Mundial da África da Sul, que terá início no dia 15, às 15 horas, com a Costa do Marfim. Aí, sim, será a valer. Infelizmente sem um dos seus maiores talentos, Nani.
Estádio Bidvest Wanderers, em Joanesburgo.
Árbitro: Matthew Dyer (África do Sul). Assistentes: Zakhile Siwela e Lazarus Matela.
PORTUGAL – Eduardo; Miguel, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Fábio Coentrão; Pedro Mendes (Pepe, 76’), Deco (Tiago, 60’) e Raul Meireles (Miguel Veloso, 60’); Danny (Duda, 86’), Simão (Cristiano Ronaldo, 63’) e Liedson (Hugo Almeida, 45’).
Treinador: Carlos Queiroz.
MOÇAMBIQUE – Lamá; Campira (Zainadine, 86’), Mexer, Fanuel e Paíto; Momed Hagy (Jumisse, 69’), Simão, Genito e Domingues; Jerry e Fumo (Armando Sá, 60’)
Treinador: Chiquinho Conde.
Resultado final: 3-0. Ao intervalo: 0-0. Marcadores: 1-0, Danny, 52’. 2-0, Hugo Almeida, 75’. 3-0, Hugo Almeida, 83’.