O poeta dizia que o sonho comanda a vida e é com este lema que está concentrado nos trabalhos da selecção. Com realismo, pés bem assentes no solo, concentração e força mental, mas sem lugar a receios. Sabe que na África do Sul só uma equipa realmente competitiva poderá ir longe. E é nesse sentido que, garante, todos estão a trabalhar na Covilhã ou não considerasse este um grupo de qualidade mundial. Bruno Alves é um vencedor. E como vencedor que é assegura que Portugal tem de encarar a prova com optimismo. Esta é também a mensagem que deixa aos adeptos portugueses que, na sua opinião, vão apoiar a equipa como nunca antes o fizeram. No que lhe diz respeito, pretende ser útil à equipa e fazer um grande Mundial. O primeiro golo marcou-o quando viu o seu nome no grupo de escolhidos de Carlos Queiroz.
GESTIFUTE MEDIA – Quais são as primeiras impressões do estágio que está a decorrer na Covilhã?
BRUNO ALVES – Muito, muito boas. Todos os jogadores estão motivados, estão a desenvolver uma boa preparação, estamos a realizar bons treinos. Agora que todos os jogadores estão juntos a equipa está a começar a ficar mais forte, mais entrosada e à medida que os dias vão passando o rendimento vai aumentando de forma natural.
P – Como descreve o jogo com Cabo Verde, o primeiro de preparação?
R – Foi para serem retiradas as primeiras impressões. Permitiu que se observasse o estado físico dos jogadores e não é de mais recordar que o grupo ficou completo apenas dois dias antes. Foi um bom teste. É verdade que não ganhámos, é verdade que não realizámos uma partida excelente, mas é assim que se retiram ilações. Serviu para termos a consciência de que somos capazes de fazer mais e melhor, serviu para melhorarmos os nossos pontos fracos mas também os nossos pontos fortes.
P – Carlos Queiroz já anunciou que nesta semana o pedal vai começar a ser pisado a fundo…
R – É verdade. Neste momento todos os jogadores estão presentes, já começa a ser desenvolvido um trabalho mais completo para preparar a equipa e esteja a 100 por cento no momento do início do Campeonato do Mundo.
P – De que forma ocupam os tempos livres e descontraem do trabalho diário?
R – Por acaso temos bastantes distracções para ocupar o tempo em que não estamos a trabalhar no campo. Entre muitas outras coisas, temos jogos de consola ou cartas, muitas coisas para fazer. Mas importante, importante é o convívio entre todos, de forma a que tenhamos uma relação ainda mais forte. Aliás, na minha opinião, o fortalecimento de um grupo também passa por aí, ou melhor, passa em grande parte por aí. É desta forma que se começa a formar um verdadeiro grupo, é assim que se começa a ganhar fora das quatro linhas, o que é muito, muito importante. E nesse sentido estamos no bom caminho.
P – De que forma assistiu à divulgação da convocatória para o Mundial?
R – Estava ansioso, naturalmente, porque nada na vida pode ser tomado como garantido. Tinha a noção de que o trabalho físico e técnico que desenvolvi durante a época me abria a possibilidade de ser um dos escolhidos, mas na vida não há certezas em relação a nada. Fiquei ansioso no momento da divulgação dos nomes, esperei para ver se eu lá estava e foi uma alegria cá em casa quando vimos o meu nome. Toda a gente festejou, porque o Mundial é uma competição muito importante e só lá estão os melhores. Foi como que o meu primeiro golo.
P – O que espera deste Mundial?
R – Espero que o trabalho de preparação que estamos a desenvolver tenha os seus frutos na África do Sul, onde iremos encarar todos os jogos da mesma forma e um de cada vez. Dado que estaremos numa grande competição é óbvio que nos é permitido sonhar. E nós sonhamos que é possível fazermos algo de muito belo. Somos realistas – temos de sê-lo – e sabemos que só com uma equipa competitiva e muito concentrada lá chegaremos. Mas podemos sonhar.
P – E individualmente?
R – Espero ser uma boa solução para a equipa, que tenciono ajudar com o máximo das minhas capacidades. Espero fazer um grande Mundial, estar a um bom nível e ser útil à equipa.
P – Qual é o seu maior desejo para o Mundial?
R – Temos de encarar o Campeonato do Mundo com optimismo. Queremos que seja um grande espectáculo para todos e que as pessoas se divirtam, pela qualidade e pela competitividade. Nesse sentido, o meu grande desejo é que Portugal vá o mais longe que conseguir. Desejo, sinceramente, um grande Mundial, um Mundial em que todos nós, equipa e adeptos, estejamos unidos para tentarmos ir o mais além possível.
P – E o maior receio?
R – Que as coisas não corram bem e que não consigamos ultrapassar as dificuldades. Mas não podemos viver de receios. Temos de viver do presente e daquilo que somos capazes de fazer. Com a qualidade destes jogadores a esperança é grande, pelo que temos de por de lado os receios e esperar realizar um Mundial com grande capacidade mental.
P – Que nome atribuiria a esta selecção?
R – Qualidade Mundial. Selecção de qualidade mundial.
P – Que mensagem quer transmitir aos portugueses?
R – Uma mensagem de optimismo. Desejo que as pessoas apoiem a selecção, que venham ao nosso encontro, que estejam lá por nós. Ninguém tenha dúvidas de que todos os jogadores, cada um de nós, querem muito ganhar. Desejo um grande espírito de união, uma simbiose perfeito entre eles e o grupo. E quanto mais apoio e confiança nos transmitirem mais confiança sentiremos. Tenho a certeza de que todos os portugueses vão apoiar-nos como nunca antes o fizeram.